A Epic Games versus Google: Uma luta antitrust que pode redefinir a economia dos apps

O cenário das startups e da tecnologia tem sido palco de uma disputa épica não só em inovação mas também no âmbito legal. Epic Games, a criadora do popular jogo Fortnite, está em uma batalha antitruste contra o gigante Google, desafiando as práticas da empresa no gerenciamento da Play Store. Este confronto se estende além dos muros dos tribunais, refletindo em toda a economia dos aplicativos móveis e na forma como usuários acessam e realizam compras in-app. No cerne deste caso, discussões sobre comissões de in-app, estratégias exclusivas e ‘bribes’ colocam em xeque a ética competitiva adotada pelo Google e sua dominância no mercado de Android, que é muito maior do que apenas uma loja de aplicativos. Vamos desvendar algumas das camadas deste controverso embate. Primeiramente, entendemos que Epic Games rejeitou uma oferta de $147 milhões do Google para lançar Fortnite na Play Store, o que expõe uma disputa anterior sobre taxas e a estratégia de lançar o jogo diretamente do site da Epic, evitando a ‘taxa de loja’ de 30%. A experiência de baixar aplicativos diretamente, conhecida como ‘sideloading’, é tecnicamente possível em dispositivos Android, mas Epic argumenta que este método é desencorajado por múltiplos passos e avisos de segurança, incentivando os usuários a recorrerem à Google Play Store. Este ato de ‘empurrar’ os usuários para a loja oficial, segundo a Epic, diminui a concorrência e beneficia indevidamente o Google. Por outro lado, dentro da ‘Project Hug’, surgem alegações de que a Google ofereceu incentivos financeiros a grandes desenvolvedores como Activision Blizzard — na ordem dos $360 milhões — para lançar seus jogos na Play Store, em detrimento de plataformas rivais ou propostas independentes. Ações como estas são criticadas por criar um ambiente onde outras lojas de aplicativos e desenvolvedores são pressionados a se alinhar com as políticas e comissões do Google, impactando na liberdade de escolhas para os consumidores e desenvolvedores. No decurso do julgamento, testemunhos importantes vieram à tona, como o de Benjamin Simon, da Yoga Buddhi, que destacou como o Google rejeitava apps para ‘steering’, ou seja, indicar caminhos alternativos de pagamento que não a Play Store, prática que aponta para um benefício ao consumidor que o Google e a Apple procuram evitar em seus acordos de desenvolvedores da loja de aplicativos. Importante notar que, enquanto o Google defende que sua Play Store é apenas um competidor no vasto mercado de apps, com alternativas como a loja da Samsung e a Amazon Appstore disponíveis, Epic destaca a dominância do Google Play, responsável por 90% dos downloads de apps Android nos EUA, gerando mais de $12 bilhões por ano em lucros operacionais para o Google e carregando margens de lucro de 70%, significativamente acima dos 24% em 2014. A Epic Games Store, por sua vez, com uma reduzida comissão de 12% sobre as receitas dos desenvolvedores, ainda não é lucrativa, salientando as diferenças no poder de negociação e nos resultados financeiros entre as plataformas. Enquanto o embate jurídico se desenrola, observadores do mercado e consumidores aguardam ansiosos pelo impacto que este caso possa ter no futuro do ecossistema de aplicativos móveis. Este debate de gigantes, que contrasta entre a acusação de práticas anticompetitivas e a defesa da competição de livre mercado, promete redefinir não apenas o resultado financeiro das empresas envolvidas, mas também a própria arquitetura de acesso a aplicativos e games para milhões de usuários ao redor do mundo.


Referências:
5 things we learned from the Epic-Google antitrust case this week
Epic turned down $147m deal to put Fortnite on Google Play …
A recap of Epic Games vs. Google trial day one


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