O fluxo de investidores estrangeiros na Bolsa de Valores brasileira atingiu seu menor nível para o mês de outubro desde 2019, de acordo com os dados divulgados recentemente. A cautela geopolítica, que tem potencializado a possibilidade de juros mundiais elevados por um longo período, vem afugentando os aportes de investidores estrangeiros na B3.
A fotografia em relação ao ingresso de recursos externos na Bolsa brasileira sugere que este será o pior mês de outubro em três anos. Até o momento, os investidores estrangeiros retiraram R$ 2,476 bilhões da B3. Esse resultado é decorrente de compras acumuladas de R$ 194,823 bilhões e vendas de R$ 197,3 bilhões. Essa tendência é preocupante, pois outubro contabilizou aportes expressivos nos últimos anos, sendo de no mínimo R$ 2 bilhões.
A incerteza em relação à saúde econômica norte-americana, a expectativa de desaceleração na Europa e nos Estados Unidos, a crise no setor imobiliário chinês e as dúvidas sobre o fim do ciclo de crescimento na China contribuem para tornar o cenário global desfavorável. Além disso, o Brasil não ter grau de investimento aumenta a percepção de risco e deixa o fluxo de capital sujeito a informações de curto prazo.
Economistas entrevistados apontam que, a curto prazo, não há fatores que possam reverter esse quadro. Porém, a expectativa é que a situação possa melhorar caso ocorra um alívio no cenário internacional, com destaque para as decisões do Federal Reserve (banco central americano) em relação à política monetária. Além disso, uma possível retomada da reforma tributária no Brasil poderia impulsionar o interesse dos investidores estrangeiros.
Apesar das incertezas, alguns especialistas acreditam que o Brasil está mais resistente a choques externos, devido às reformas que vêm sendo implementadas e à posição relativamente favorável do país entre os emergentes. Além disso, o ciclo de queda da taxa Selic enquanto outros países adotam políticas monetárias restritivas é considerado um fator altista para a Bolsa brasileira.
No entanto, é importante ressaltar que o cenário externo ainda é dominante e que as preocupações conjunturais tendem a prevalecer enquanto não houver uma certeza sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos e do crescimento chinês. O Brasil continua enfrentando incertezas fiscais e a trajetória de dívida pública torna o país mais vulnerável a choques econômicos.
Portanto, a expectativa é que o fluxo de investidores estrangeiros na Bolsa de Valores continue restrito nos próximos meses, mas alguns fatores podem contribuir para uma melhora desse cenário, como o alívio no ambiente internacional e avanços na reforma tributária no Brasil.
Referências:
Fluxo de estrangeiros para Bolsa em outubro atinge menor nível para o mês desde 2019
Neurotech: busca por crédito no País aumenta 5% em agosto ante julho
Oktoberfest no Doispontozero em Miranda do Corvo!
Deixe um comentário