O campo do femtech, que se dedica a soluções inovadoras voltadas para a saúde da mulher, está em um ponto de inflexão. No entanto, embora essa área apresente um grande potencial, também enfrenta desafios complexos que as startups devem superar.
Um dos principais desafios é a disposição para pagar. Historicamente, as disparidades de saúde entre homens e mulheres não custaram muito ao sistema de saúde, o que resulta em baixa disposição das seguradoras para pagar e mercados endereçáveis totais reduzidos para soluções voltadas especificamente para mulheres. Como consequência, as mulheres arcam com o ônus da diferença de informação, pagando mais do próprio bolso e buscando soluções fora do sistema de saúde tradicional. Essa realidade contribuiu para o crescimento de uma indústria de bem-estar avaliada em US$ 5,6 trilhões, com as mulheres representando 80% dos gastos do consumidor.
No entanto, é necessário obter mais dados para revelar o potencial empresarial de uma melhor assistência à saúde das mulheres. Várias iniciativas estão em andamento para coletar dados de qualidade que ajudarão a impulsionar o campo do femtech.
Outro desafio importante é a falta de dados específicos sobre a biologia feminina. A biologia feminina é mais complexa de ser estudada devido à sua natureza cíclica e ao potencial criativo único. A falta de dados tem prejudicado a compreensão das diferenças sexuais nas doenças e impede o desenvolvimento de terapias personalizadas de alto valor para as mulheres. No entanto, as recentes iniciativas, como o programa ‘Sprint for Women’s Health Research’, têm o potencial de desempenhar um papel importante na abordagem desse problema.
No cenário do femtech, espera-se que as empresas com potencial de financiamento sejam divididas em duas categorias: plataformas que reimaginam a assistência médica ou a biotecnologia para mulheres e produtos inovadores combinados com dados. As plataformas de saúde inovadoras projetadas para entender e tratar as mulheres de forma mais personalizada têm a oportunidade de oferecer produtos de saúde profundos habilitados por tecnologia avançada. Além disso, existem oportunidades para empresas que investigam a biologia feminina com modelos aprimorados de descoberta e desenvolvimento de terapias.
Um exemplo de abordagem é a empresa Ark Surgical, que recentemente arrecadou US$ 1,1 milhão em financiamento para avançar em soluções cirúrgicas mais seguras para a saúde da mulher. Esse investimento impulsionará a expansão do mercado nos Estados Unidos de seu sistema de contenção de tecidos, o LapBox, que foi aprovado pela FDA. O LapBox é uma solução inovadora que aumenta a segurança em procedimentos cirúrgicos ginecológicos minimamente invasivos.
O femtech é um setor promissor com um grande potencial para preencher as lacunas na saúde da mulher. A integração de soluções de saúde digital tem o potencial de abordar os desafios globais de saúde e melhorar o gerenciamento de questões específicas das mulheres. Além disso, a conexão entre o setor de femtech e a indústria farmacêutica abre caminho para o desenvolvimento de novas terapias e abordagens inovadoras.
Embora o femtech ainda esteja em estágios iniciais de desenvolvimento, existem oportunidades significativas para o crescimento desse setor no Canadá. Para impulsionar o progresso, é essencial educar o público sobre a importância da saúde da mulher e os benefícios dos investimentos nesse campo. Além disso, é necessário aumentar a representatividade feminina na cena de investimentos, para que as investidoras entendam melhor as ideias e inovações do femtech.
A área do femtech tem um imenso potencial para transformar a saúde da mulher e impulsionar o progresso econômico. O investimento nesse setor não apenas apoiará a saúde e o bem-estar das mulheres, mas também terá um impacto positivo na sociedade como um todo.
Referências:
The Next Frontier Of Femtech
The Future of FemTech: A Deep Dive into Women’s Health and Pharma’s Expanding Role
Ark Surgical Secures $1.1M in Funding to Advance Safer Surgical Solutions for Women’s Health
‘Unfettered, naive, feminist rage’: The untapped potential of femtech
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